Como tudo começou

História do Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região

A história do sindicato deveria ser contada junto com a história da própria cidade. Mas para sermos mais concisos, iremos fazer um recorte à partir da década de 70, quando ainda éramos a APECO (Associação Profissional dos Empregados no Comércio de Osasco), e atendíamos em uma pequena sala na rua João Batista, no centro de Osasco. Em 1976, como resultado do esforço coletivo dos comerciários da Região, fundou-se o SECOR, tendo como Presidente o Sr. Inácio Santamaría Garcia.

Na época, vivíamos em pleno regime militar, e devido ao pouco recurso financeiro e humano, a atuação se manteve restrita ao assistencialismo e as questões relacionadas ao esporte. Uma das bandeiras de luta neste período foi o fechamento do comércio aos sábados após as 13 horas. A principal proposta para categoria era a construção de um centro esportivo na região.

Durante a década de 80, a principal luta do sindicato foi pela não abertura do comércio aos domingos, tendo sua atuação principal nas fiscalizações contra o excesso de jornada, e a proposta do centro esportivo como referência para a categoria. O Sr. João Ubirajara Neves Martins, que comandou o sindicato neste período, era conhecido pela maioria como Bira, que com uma visão política mais ampla, possibilitou a abertura de espaço na Diretoria para a entrada de alguns companheiros que atuavam na organização dos locais de trabalho, como os comerciários Paulo Cunha, José Pereira da Silva Neto e Gildeson Cardoso de Santana. O companheiro Gil Baiano, que chegou à presidência do sindicato em 2004, teve seu mandato interrompido por falecimento.

Neste período, o Sindicato participou das lutas gerais de toda a classe trabalhadora, como as grandes greves, e do movimento social organizado na região. No ano de 1990 houve a ampliação da representação e extensão da base para Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Taboão da Serra e Embu. No período de 1991 até 1995 assumia a presidência do sindicato, através das eleições realizadas na categoria, o Sr. José Pereira da Silva Neto, tendo como Secretário Geral o Sr. Irineu dos Santos de Souza. Ambos disputaram a presidência do sindicato na eleição seguinte, quando a chapa 1, do Companheiro Neto, com renovação de 20 dos 28 diretores, foi eleita com 70% dos votos válidos. De 1995 à 2003 tivemos nosso enfoque principal na organização dos locais de trabalho.

Com a chegada de grandes grupos econômicos ao País, trazendo em sua bagagem a lógica da flexibilização de direitos, a mobilização dos trabalhadores se fez mais presente nas greves locais e por empresa, como a paralisação do gigante Wal-Mart e as constantes paralisações nas lojas do Carrefour, C&A, Pão de Açúcar, Besni, Memphis, entre outras.

Lutamos por melhores condições de vida para os trabalhadores, dentro de um conceito de sindicato cidadão. Atuamos também nas greves gerais nacionais em enfrentamento da estrutura política Neo Liberal, com sua abordagem flexibilizadora de direitos trabalhistas, na qual muitas inovações no modelo político e econômico geraram um grande aumento do desemprego. Neste contexto, o sindicato manteve várias conquistas históricas para os trabalhadores e ampliou direitos, filiando-se à CUT.

Desde sua fundação, a militância ativa do sindicato tem participado da organização das comemorações políticas e históricas em âmbito local, regional e nacional, como as comemorações de 1º de Maio (Dia do Trabalhador), 8 de Março (Dia Internacional da Mulher), 30 de Outubro (Consciência Negra), entre outras.

A herança nefasta para o comércio da era FHC foi a Lei 10.101 que liberou a abertura do comércio aos domingos e contribuiu para a eliminação de diversos postos de trabalho, principalmente nas micro e pequenas empresas. Enfrentamos os problemas da informalidade que gira em torno de 43% na região e o excesso de jornada, onde a maioria dos comerciários trabalha mais de 60 horas por semana.

Nosso sindicato representa atualmente 45 mil trabalhadores e no universo de 20 mil empresas na região, chegamos à média aproximada de 65 mil trabalhadores, se contarmos também os informais, que de igual modo são atendidos e assistidos pelo sindicato.

Estamos investindo e trabalhando por políticas que gerem empregos com qualidade no setor e garantias sociais para toda a classe trabalhadora.

Entendemos que nossa função social é transformar a sociedade, construindo mecanismos onde a justiça e igualdades sociais sejam seus alicerces principais e geradores de uma sociedade fraterna melhor para se viver.

Por Luciano Pereira Leite

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