Sexta-Feira, 27 de Novembro de 2020 -

“Assédio é violência e as mulheres precisam denunciar”

Publicado em: 28/11/2014
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Para marcar o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, foi lançada pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, nesta terça-feira (25), uma cartilha contra o assédio sexual à mulheres.

O Material foi feito em parceria com o blog Think Olga, que desenvolveu a campanha “Chega de fiu-fiu”, que denuncia casos semelhantes em espaços públicos.

Para Juliana de Faria, jornalista responsável pelo site, a cartilha é importante, pois trás informações para que as vítimas possam se encorajar e denunciar sempre que sofrerem assédios nas ruas.

“Acredito que o feminismo seja o empoderamento por meio da informação. Na sociedade machista que vivemos é preciso reforçar para as mulheres que o assédio é sim um tipo de violência de gênero e a cartilha mostra isso de uma forma simples e didática. Na época da campanha [Chega de fiu-fiu] as pessoas falavam que eu estava exagerada, mas com a entrada da Defensoria no debate elas viram que é algo realmente grave”, explicou.

Na prática, esse tipo de iniciativa tem surtido efeito e cada vez mais mulheres vem levantando a voz contra esse tipo de abuso que causa impactos negativos na vida de quem o sofre como ansiedade e depressão, além de desencorajar a vítima a sair na rua.

Culpabilização

Um problema recorrente das mulheres que sofrem violência sexual é a ideia de que elas mesmas são culpadas pelos crimes dos quais são vítimas. A roupa curta, o excesso de bebida e até os locais que frequentam acabam sendo usados como fatores para justificar os abusos dos homens. “Um ingresso pra balada ou uma saia não imputa um consentimento nenhum, precisamos ter consciência disso. As mulheres tem todo o direito de sair pra onde quiser e vestir o que quiser sem nenhum medo”, disse Juliana.

Juliana explica ainda que a ausência de dados corretos sobre assédio sexual no Brasil ainda dificulta a compreensão do tamanho desse problema, que precisa ter o respaldo do poder público para ser combatido. “Hoje assédio sexual perante a lei é só constrangimentos feitos por alguém em um cargo superior à vítima, ou seja, dentro do ambiente de trabalho. Nas ruas ele é entendido como importunação ofensiva ao pudor e fica algo muito amplo. Assédio tem que ser entendido assim em todos os lugares, temos que entender que ele é uma violência e precisa ser entendido assim pelo poder público”, finalizou.

A cartilha será distribuída por todo o estado e também está disponível neste link.

Fonte: Brasil de Fatp/Bruno Pavan