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Copa cria empregos e engorda salários

Publicado em: 25/04/2014
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Antes mesmo de a bola rolar, um grupo de brasileiros já comemora o resultado da Copa do Mundo. Para muitos, o evento pode representar a conquista de um emprego – ainda que temporário – com salário mais robusto.

Levantamento do Grupo Catho, especializado em recrutamento e seleção de mão de obra, mostra que a procura por profissionais cresceu no primeiro trimestre nas áreas de hotelaria e turismo, tradução e ensino de idiomas, bares e restaurantes – atividades relacionadas ao fluxo de turistas previsto para o mundial.

O movimento indica uma preparação das empresas para o período da Copa, diz Luís Testa, diretor da Catho. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgada no início do mês prevê a contratação de aproximadamente 48 mil pessoas durante o evento. Os maiores impactos serão nos setores de construção, hotelaria e turismo, afirma Leonardo de Souza, diretor da agência de recrutamento Michael Page.

A demanda por profissionais provocou também aumento da remuneração média. Pesquisa da Catho indica que alguns salários superaram a inflação. Em hotelaria, a remuneração média cresceu 28,2% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2013. Na área de idiomas, o aumento foi de 12,5%. O IPCA no período foi de 6,15%.

A alta do salário médio reflete a carência de mão de obra. As empresas estão com dificuldade para contratar, afirma o consultor Silvinei Cordeiro Toffanin, da Direto Contabilidade, Gestão e Consultoria. O problema se agrava nas atividades que requerem mais de um idioma. “Estou com muita dificuldade para contratar quem fale inglês ou espanhol”, relata Miki Hiroshe, diretor-geral do Hotel Matsubara, de São Paulo. O hotel precisa de maître, garçom, mensageiro e pessoal para portaria, recepção e segurança, todos com um segundo idioma.

“Quem está disponível está pedindo alto”, reclama. Hiroshe tem ouvido dos candidatos a garçom bilíngue pedidos em torno de R$ 3,5 mil, enquanto a média salarial do mercado fica, segundo ele, em torno de R$ 2,2 mil. O diretor já admite que talvez não seja possível contratar todos os profissionais que deseja. A ideia era aumentar a mão de obra em 15% a 20%. O Matsubara tem 90 funcionários, 155 apartamentos e 300 leitos.

A única vaga preenchida até o momento foi a de telefonista bilíngue. Contratada em função da Copa, Mariana Santoro, de 23 anos, assumiu o posto na primeira quinzena de abril. O desembaraço no idioma foi conquistado pela vivência de um ano no Canadá e pela atuação como recepcionista freelance em eventos internacionais. Desde o início do ano, cursa a faculdade de secretariado bilíngue.

A T4W, desenvolvedora de softwares para hotelaria e turismo, também enfrenta dificuldades. Já expandiu as áreas comercial e administrativa, mas tem passado apuros para encontrar programadores capacitados e com experiência, conta Thiago Campos, 32 anos, diretor comercial. O salário da função fica em torno de R$ 5 mil.

Desenvolvedora do sistema Cangooroo, usada por grandes clientes – Agaxtur, Submarino Viagens, TAM Viagens – a T4W projeta elevar em 15% o número de empregados para fazer frente à demanda. Campos afirma que o crescimento da empresa em 2013 foi de 25%. “Com a Copa, aumentou o número de clientes que utilizam nosso produto e também a frequência de uso por aqueles que já o utilizavam”, explica. Para 2014, a empresa prevê mais 15% de crescimento.

Bares, lanchonetes e as vagas de vendedores ambulantes nos estádios vão gerar 12 mil empregos temporários, de acordo com a CSM Brasil, responsável pelo gerenciamento da área de alimentação das arenas durante a Copa. Outras 3 mil pessoas com domínio de inglês serão contratadas para o receptivo dos camarotes. Ao abrir a campanha de recrutamento pela internet, a empresa se surpreendeu com a procura, revela Pedro Lima, de 31 anos, diretor de negócios da CSM Brasil. Esperava de 50 a 60 mil inscritos. Apareceram 160 mil.

Contratados formalmente como temporários, os aprovados para a área de alimentação e bebidas vão receber em média R$ 120 líquidos por dia de evento. Na recepção dos camarotes, a diária é de R$ 250. Os valores são iguais nas 12 sedes. O que difere é o número de dias trabalhados, conforme a quantidade de jogos. Lima diz acreditar que o maior legado da operação será a formação de mão de obra especializada para grandes eventos.

Com apenas dois anos de Brasil, a agência americana GMR Marketing será a responsável pelo receptivo de turistas, especialmente estrangeiros, nas cidades-sede. Isso representa acréscimo de 800 pessoas aos 200 funcionários que atuam regularmente no Brasil, explica o líder para América Latina da GMR, Celso Schvartzer. Desses 800, cerca de 250 são estrangeiros da equipe da empresa. Outros 550 brasileiros – a maioria com domínio do inglês – estão em fase final de seleção.

Por trabalharem apenas nos dias de jogos, muitos dos candidatos vão manter as atividades normais e aproveitar a contratação para reforçar a renda. É o caso de Lennon Alves de Brito, escalado para o receptivo no estádio do Maracanã. Com experiência em hotéis e pousadas e também por ter vivido uma temporada em Viena, na Áustria, Lennon é professor. Mesmo durante a Copa, vai manter as aulas que ministra pela manhã – de inglês ou, para estrangeiros, de português. Quer usar o dinheiro extra para viajar ao exterior e promete tentar fazer amizade com estrangeiros no evento em busca de uma nova oportunidade para morar fora do país.

De acordo com Schvartzer, a GMR tem experiência em grandes eventos que vem de 13 jogos olímpicos e oito copas do mundo. Ele prevê que, se os patrocinadores começarem a organização dos Jogos do Rio 2016 logo após o mundial de futebol, boa parte dos contratados agora poderá ser reaproveitada.

O projeto Parque da Bola, que vai funcionar no Rio, terá cerca de 600 contratados. São 200 empregos temporários diretos e mais 400 para os estandes das empresas que vão participar como parceiras da iniciativa. O parque irá exibir os jogos do mundial e apresentar shows musicais durante a competição. É uma iniciativa que já foi empregada em outros países e está chegando ao Brasil pelas mãos de Júlio Mariz, ex-presidente da Traffic.

O evento seguirá moldes semelhantes à Fan Fest, da Fifa, que só recebe convidados. É uma forma de entreter brasileiros e estrangeiros de passagem pela cidade e quem vai trabalhar no evento. O número de turistas no Rio durante a Copa é estimado em mais de 1 milhão de pessoas. Com 50 mil metros quadrados de área, o Parque da Bola consumiu investimentos de R$ 10 milhões. Os ingressos custarão R$ 30, com meia-entrada a R$ 15. Depois das 20 horas o preço sobe para R$ 50, também com meia-entrada.

O projeto vai funcionar em 30 dos 32 dias da Copa. Haverá uma programação de shows de quinta a domingo e também nas vésperas e nos dias de jogo do Brasil. Parte da mão de obra será bilíngue, cedida por uma escola de idiomas, para atender os turistas. O visitante estrangeiro receberá uma pulseira especial de identificação.

A Dufry Sports está selecionando 780 jovens de 18 a 25 anos para trabalhar como vendedores nas lojas dentro dos estádios. Quem tiver até 35 anos pode se candidatar ao cargo de coordenador. O recrutamento será feito até 30 de abril em todas as sedes do Mundial. O inglês não chega a ser obrigatório, mas tem sido levado em conta.

A Hellofood Brasil, companhia novata de origem alemã, está acelerando a entrada no país. Já contratou 300 representantes comerciais. A empresa oferece um aplicativo gratuito para a compra de alimentação com entrega em domicílio. O cliente pode pedir comida em casa ou no hotel pela internet, via site ou smartphone. A empresa chegou ao país no ano passado e está correndo para funcionar em 10 das 12 sedes do mundial. Espera receber turistas estrangeiros já habituados a seus serviços. A vantagem nesse caso é que o emprego não é temporário. Os contratados fazem parte do plano de expansão da base de restaurantes, afirma Marcelo Ferreira, 27 anos, diretor-geral.

No Recife, a contratação de temporários será de cerca de 12 mil pessoas, contando a região metropolitana, estima Bruno Herbert, presidente do Recife Convention & Visitors Bureau. O mundial coincide com o período de festas juninas, o que, segundo ele, vai aumentar a procura de mão de obra eventual. A rede hoteleira de Pernambuco precisa contratar de 500 a 600 pessoas. A montagem de infraestrutura temporária para a Copa vai requerer mais ou menos 800 trabalhadores. O setor de transporte conta com mil vagas diretas, mais 3 mil em locadoras de veículos, empresas aéreas e outros. Cada emprego direto gera mais três indiretos, totalizando os 12 mil. Pelos cálculos do Recife Convention, a contratação temporária vai injetar R$ 36 bilhões na economia de Pernambuco durante três meses.

Fonte: Valor

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