Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2020 -

Dia Nacional das Pessoas com Deficiência é lembrado com atos da CUT em SP

Publicado em: 20/09/2019

Um ato na Praça do Patriarca, no centro da cidade de São Paulo, e uma marcha pelas ruas do centro da cidade de Piracicaba, localizada a 160 km de da capital paulista. Essas ações marcaram nesta sexta-feira (20) o Dia Nacional das Pessoas com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

A CUT São Paulo, por meio de seu Coletivo de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência, participou destas atividades ao lado de outras entidades sindicais e movimentos populares.

Na capital, os participantes instalaram banners com explicações sobre a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) nº 13.146, votada e aprovada na Câmara e no Senado, em 2015, depois de 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, e sancionada pela então presidenta Dilma Rousseff.

De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,92% da população.

Porém, as ações governamentais vão na contramão dos direitos desta população, como afirma a secretária de Políticas Sociais da CUT São Paulo, Kelly Domingos.

“Estamos diante de um governo que retira qualquer garantia que tenhamos conquistado ao longo dos últimos anos. É bom lembrar que se dependêssemos do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Eduardo Bolsonaro há alguns anos, quando eram deputados por outros partidos, não conseguiríamos sequer aprovar a LBI que beneficiou 45 bilhões de pessoas, já que ambos foram contra sua aprovação”.

Secom CUT-SP
Praça do Patriarca na cidade de São Paulo 

Bancária e sindicalista, Maria Cleide Queiroz também tece críticas ao governo atual. “Desde abril o governo tem dito que irá extinguir diversos conselhos da administração pública, que permitem participação da sociedade em decisões políticas. O Conade [Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência] também havia sido citado, mas agora não será mais extinto porque temos resistido. Porém, sabemos que estamos na mira de Bolsonaro, que trata nossa população com total descaso e desrespeito”, afirma a dirigente que, durante o ato também relatou ter sofrido discriminações como trabalhadora com deficiência.

Assim como Cleide, o coordenador do Coletivo Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da CUT, José Roberto Santana, também relata que já viveu situação semelhante. “Eu cheguei ao movimento sindical por causa de uma questão com o antigo gestor de onde eu trabalhava. Porque ele não me avaliava por minha capacidade como trabalhador. Ele dizia que eu só estava no banco trabalhando por causa da minha deficiência. Vemos que este tipo de discriminação é comum em muitos lugares”, conta.

Tanto Cleide como José, que atuam no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, acreditam que a sociedade ainda não está preparada para conviver com pessoas com deficiência e, segundo eles, ainda há um olhar de “coitadismo”.

“As pessoas acham que temos que ficar em casa recebendo BCP [Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social LOAS]. Esquecem que queremos viver, amar, trabalhar, pagar nossas contas e sermos independentes”, completa Cleide.

Com o olhar voltado às cidades, além do mundo do trabalho, a presidenta do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Marly Santos, também coordenadora do Coletivo Estadual de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da CUT-SP, destaca que questões relacionadas à inclusão social e à acessibilidade estão entre as que merecem maior atenção.

“Infelizmente os governos estadual e municipal de São Paulo não têm esta sensibilidade sobre estas questões. Nesta data, estamos nas ruas para fazer um enfrentamento diante disso. Não estamos aqui comemorando, mas cobrando e exigindo ações do poder público. Isso é um direito que deve ser garantido”, afirma Marly, que é cadeirante.

Interior paulista

Cerca de 400 pessoas participaram da atividade em Piracicaba (SP). Além de marcharem pelas ruas do centro, um ato também ocorreu na Praça José Bonifácio.

No local construíram ainda uma “árvore dos sonhos”, onde cada pessoa ou entidade escreveu um pedido “por uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva”, tema da atividade neste ano no município.

Divulgação
Árvore dos sonhos por inclusão social em Piracicaba

Segundo a dirigente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba, Letícia Françoso, a atividade teve boa repercussão junto à população local, que compôs a marcha. “Queremos inclusão, não segregação. Não lutamos por privilégios, mas por direitos iguais para todos e todas, para que possamos participar da sociedade, ter acesso ao transporte público, podermos ir ao teatro, ao cinema, onde quisermos”, diz.

Câmara em ação

Na quinta-feira (19), a Câmara Municipal de São Bernardo do Campo realizou também sessão solene alusiva ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, presidida pela vereadora Ana Nice Lula (PT).

Foto: Oscar Jupiraci/Câmara Municipal de SBC

FOTO: OSCAR JUPIRACI/CÂMARA MUNICIPAL DE SBC

Na ocasião, Ana Nice anunciou que um Projeto de Lei que dispõe sobre a obrigatoriedade da instalação de sinais sonoros nos semáforos para orientação das pessoas com deficiência visual foi protocolado, após reunir quantidade de assinaturas suficiente para que a proposta tramite na Casa.

A secretária de Políticas Sociais da CUT São Paulo, Kelly Domingos, também esteve presente na atividade. “É importante que os parlamentares tenham iniciativas como essas. Isso fortalece ainda mais a nossa luta por direitos”, concluiu a dirigente.

Fonte: CUT