Sábado, 26 de Setembro de 2020 -

Fecomercio registra maior aumento de preços no varejo desde junho de 2008

Publicado em: 02/12/2010

Nos últimos 12 meses, o preço do pão francês aumentou 12 vezes, contudo, não é só com o pãozinho que os paulistas estão gastando mais. De acordo com o Índice de Preços no Varejo (IPV), apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), os preços dos cereais, legumes, tubérculos e carnes ficaram mais caros na comparação entre outubro e setembro. Com isto, o IPV registrou impulso de 1,18% em relação ao mês anterior, o maior desde junho de 2008, e acumula alta de 3,41% em 2010.

A assessora econômica da Fecomercio, Júlia Ximenes, afirma que o principal motivo para o impulso registrado no IPV, em outubro, é a inflação dos preços dos produtos vendidos em supermercados. “Em média, esses produtos ficaram 2,06% mais caros”, aponta. Entretanto, o incremento nos preço dos tubérculos, cereais e legumes, por exemplo, foi muito superior a este patamar, atingindo 8,04%, 8,99% e 10,35%, respectivamente.

No setor de feiras, esses mesmos produtos tiveram uma elevação consideravelmente inferior, apesar de não deixarem de ter um impulso expressivo em relação a setembro. Os tubérculos vendidos em feiras ficaram 3% mais caros em outubro, enquanto os legumes tiveram incremento de 5,3%. O preço das frutas apresentou praticamente a mesma variação nos dois setores: 3,19% nos supermercados e 3,12% nas feiras.

O preço das carnes vendidos em açougues também registrou forte alta, subindo 4,99% na comparação com setembro. “No ano, o setor de açougue é o que tem o maior acumulado. Os preços das carnes já subiram 17,08% em 2010”, comenta Júlia. Somente este mês, as carnes bovinas e suínas ficaram, em média, 4,74% e 4,54% mais caras. O preço das aves teve um impulso ainda maior, 6,44%.

O aumento no preço destes itens, entretanto, está interligado. A economista explica que as atuais instabilidades nas regiões produtoras de feijão, trigo e cana-de-açúcar, por exemplo, têm afetado o desempenho da produção destas commodities. Além disto, o clima também tem prejudicado plantações em outros países, fazendo o preço destas mercadorias subir no mercado internacional. “A Rússia, principal exportador mundial de trigo, está passando por uma seca que fez o país suspender as vendas, alavancando o preço deste produto no mercado internacional”, aponta Júlia, “já que o Brasil não produz trigo suficiente para suprir o mercado interno, fica sujeito a estas variações”.

O impulso no preço das carnes também está relacionado a questão climática. Com a alta dos preços dos cereais, como o milho e a soja, que servem de ração para os animais, eleva-se também o gasto com a produção e, consequentemente, o preço final do produto. Até mesmo para o setor de Combustíveis e Lubrificantes, que acusou alta de 2,3% na comparação entre outubro e setembro, as variações no clima foram o fator determinante.

Segundo Júlia o prolongado período de seca nas regiões produtoras de cana-de-açúcar prejudicou a safra, determinando a elevação de 10,14% no preço do Álcool combustível (Etanol). “O retardamento da queima das plantações e, consequentemente, da colheita, reduziu a produtividade da moagem e impactando nos preços ao consumidor final”, comenta a assessora econômica. Em contrapartida, a Gasolina apresentou uma elevação mais discreta, 1,4%.

Júlia ainda ressalta que, apesar do aumento dos preços registrado pelo IPV, não existe uma pressão inflacionária por conta de um aumento de demanda. “As variações registradas se devem a fatores climáticos e, portanto, o uso de instrumentos monetários como a elevação da Taxa Selic seria uma ação completamente inócua”, afirma. “O aumento da taxa de juros só iria contribuir para o ingresso de mais capital especulativo no país, colaborando para que o Real continue sobrevalorizado frente ao Dólar.“

Por outro lado

Não foi somente a inflação no preço do pãozinho que fez aniversário em outubro, mas, ao invés de elevação, o preço dos equipamentos eletroeletrônicos completou um ano de quedas consecutivas. De acordo com o IPV, os preços dos produtos de Imagem e Som, Informática e Telefonia caíram, em média, 0,69% na comparação entre outubro e setembro. No ano, estes produtos já acumulam deflação de 8,26%.

Para Julia, a queda no preço desses produtos se deve, principalmente, a concorrência desleal com o comércio informal. “O comércio legal, sobrecarregado com os impostos, não tem como competir com os produtos vendidos irregularmente”, aponta.

Entretanto, a economista destaca que este não é o único fator para a queda no preço dessas mercadorias. “A sobrevalorização do Real frente ao Dólar é outro ponto de impacto considerável para este segmento, já que o câmbio tem uma relação direta com o custo das importações”, pondera Julia. “Além disso, a constante inovação tecnológica torna os equipamentos rapidamente obsoletos, reduzindo o seu valor.”

Além dos preços de Eletroeletrônicos, os CDs, as Autopeças e Acessórios para Veículos Automotores e as peças de Vestuário, Tecidos e Calçados ficaram, respectivamente, 1,54%, 0,1% e 0,22% mais baratos na relação entre outubro e setembro.

Fonte: Fecomércio

Postado por assessoria de imprensa/Raquel Duarte