Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2020 -

Fica a dica: Nas eleições, evite xingamentos nas redes sociais para não afetar carreira

Publicado em: 13/10/2014
Thinkstock

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A sabedoria popular diz que política, futebol e religião não se discute. Mas basta uma espiada no Facebook em época de eleições ou noite de jogo para saber que, pelo menos nas redes sociais, a máxima não é levada a sério.

Alguns cuidados, contudo, são necessários quando o profissional resolve se manifestar nas redes, ainda mais sobre temas polêmicos como esses. Um vacilo pode chegar aos ouvidos de um recrutador ou do seu chefe e provocar até demissão por justa causa.

“Muitos esquecem que tem gente lendo o que eles escrevem na internet”, diz André Miotto, consultor de gestão empresarial da AMX Gestão Integrada. “Não se separa mais o profissional do seu perfil nas redes sociais – é tudo a mesma coisa.”

Um dos vacilos que podem prejudicar o profissional é defender opiniões extremistas.

“Manifestar pontos de vista é natural”, diz Irina Bezzan, CEO da empresa de consultoria e recrutamento Genter. “Mas, quando as opiniões são agressivas, até mesmo incitando a violência, a empresa pode achar que o profissional tende a reagir mal sob pressão e atrapalhar as relações de trabalho.”

São exemplos de comportamentos agressivos xingar partidos políticos, candidatos a cargos públicos e torcidas de times rivais, além de agir com preconceito contra qualquer grupo social.

“Praticar discriminação na internet pode motivar até demissão por justa causa, se a empresa for prejudicada pelo conteúdo postado”, diz o especialista em direito do trabalho José Daniel Gatti Vergara, da Mesquita Barros Advogados.

O prejuízo pode ser, por exemplo, a perda de um cliente pertencente ao grupo social que foi alvo do preconceito.

Não existe critério para definir limite da liberdade de expressão nas redes

Não há, porém, critério legal para determinar se a manifestação do profissional nas redes está dentro da sua liberdade de expressão, um direito garantido pela Constituição, ou se passou a ferir a imagem da empresa, segundo Vergara. “A Justiça analisa cada caso separadamente”, diz.

Para saber quais comportamentos na internet são prejudiciais e como usar as redes sociais a favor da sua carreira, o UOL entrevistou os consultores André Miotto e Irina Bezzan. Veja abaixo.

Dicas de etiqueta profissional nas redes sociais
  • Fale sobre políticas, não sobre partidos e candidatos

    Defender bandeiras, ideologias e políticas públicas é melhor do que falar mal de partidos e ofender candidatos

  • Não xingue torcidas adversárias

    Além de demonstrar agressividade desnecessária, você pode estar xingando o time do seu chefe e ele não ser do tipo que leva na esportiva

  • Evite postar fotos sensuais

    Antes de postar uma foto de sunga ou biquíni na praia, lembre-se de que pode haver colegas de trabalho entre seus contatos

  • Fique longe do celular se estiver bêbado

    Algumas empresas de recrutamento podem achar que o profissional não tem hábitos de vida saudáveis se costuma aparecer bêbado em fotos. “Ele pode fazer o que quiser, claro, mas não precisa colocar nas redes sociais”, diz André Miotto, consultor de gestão empresarial da AMX Gestão Integrada

  • Mostre equilíbrio emocional

    Falar com frequência sobre suas emoções e fraquezas nas redes pode passar a impressão de que você não tem estrutura para lidar com situações de pressão

  • Prefira comentários positivos

    Em vez de reclamar da vida o tempo todo, prefira postar conteúdos motivacionais. “Celebre uma conquista da sua equipe e dê opiniões construtivas, por exemplo”, diz Irina Bezzan, CEO da empresa de consultoria e recrutamento Genter

  • Não seja fofoqueiro

    Quem só compartilha fofocas de famosos e notícias sobre amenidades pode parecer supérfluo e sem conteúdo

  • Não fale mal da empresa, do chefe ou de um colega

    Parece óbvio, mas ainda há profissionais que são demitidos por tornarem públicas suas reclamações sobre o trabalho

Fonte: André Miotto, consultor de gestão empresarial da AMX Gestão Integrada, e Irina Bezzan, CEO da empresa de consultoria e recrutamento Genter
Fonte: UOL, Mariana Bomfim