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Nossa água: Nível cai em todos os sistemas da Grande SP pelo 4º dia seguido

Publicado em: 20/01/2015
Nível do Sistema Cantareira, o principal da Grande São Paulo/Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo

Nível do Sistema Cantareira, o principal da Grande São Paulo/Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo

O nível de todos os reservatórios que abastecem a Grande São caiu pela quarta vez seguida nesta segunda-feira (19), segundo a Sabesp. O sistema Cantareira, que atende 6,5 milhões de pessoas, teve sua 8ª queda consecutiva, indo a 5,8%. Suas represas praticamente não recebem chuvas desde o dia 14.

O acumulado de  chuvas neste mês no Cantareira é de 22,4% e as precipitações devem ficar abaixo da média pelo menos até abril. É o que prevê o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério de Ciência e Tecnologia. O resultado foi divulgado na tarde de sexta-feira (16), na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília.

Além da estiagem, as temperaturas acima dos 30 ºC fazem com que a população consuma mais água do que em dias amenos. Este sábado (17) teve a temperatura mais alta do ano, com  35,7 ºC. O domingo, com 35,6 ºC de máxima, ficou logo atrás, registrando a segunda maior marca de 2014. As medições são realizadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Mirante de Santana, Zona Norte da capital.

Confira os níveis dos outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo:

Alto Tietê: caiu de 10,5% para 10,4%;
Guarapiranga: caiu de 39,3% para 38,9%;
Alto Cotia: caiu de 29,1% para 28,7%;
Rio Grande: caiu de 69,4% para 69,1;
Rio Claro: caiu de 23,9% para 23,2%.

Dezembro
Junto com o ano, terminou também o melhor mês do Cantareira em 2014. Em dezembro, o nível do sistema baixou 1,5 ponto percentual. Foi o menor índice de queda mensal no ano. A maior baixa foi em fevereiro, quando o volume acumulado recuou 5,5 pontos percentuais.

Dezembro também foi o melhor mês em número de dias sem queda no nível do reservatório. Foram 11: em 8 deles o nível se estabilizou, e em outros 3 ele chegou a subir. Foi a única vez no ano em que o nível aumentou três vezes seguidas, dos dias 24 a 26. Nesse sentido, os piores meses foram junho, julho, agosto e outubro, quando o nível caiu todos os dias.

O Cantareira terminou 2014 sem recuperar 492 bilhões de litros de água perdidos durante os 12 meses. O ano começou com o nível do reservatório em 27,2% e terminou com 7,2%.

Porém, com a utilização das duas cotas do volume morto (a primeira elevou o manancial em 18,5 pontos percentuais e a segunda em 10,7 pontos percentuais) é como se os reservatórios tivessem iniciado 2014 com um volume acumulado de 56,4%. Assim, a queda foi 49,2% durante o ano, o número representa 492 bilhões de litros. De acordo com estimativas da Sabesp, o reservatório tem capacidade de armazenar 1 trilhão de litros, quando está com 100% do seu nível.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o sistema abastece atualmente 6,5 milhões de pessoas na Grande SP.

Multa
Depois de ser barrada na Justiça na terça (13), a sobretaxa na conta de água para quem aumantar o consumo voltou a valer nesta quarta-feira (14), após o governo vencer recurso contra a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

A partir da conta de fevereiro, serão cobrados 40% de multa para quem consumir até 20% a mais do que a média entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. Quem ultrapassar 20% dessa média será multado em 100% sobre o gasto com água, que representa metade da conta. Os outros 50% são referentes ao serviço de coleta de esgoto.

Os sistemas que abastecem várias regiões do estado de São Paulo têm enfrentado quedas frequentes do volume de água armazenado devido à falta de chuvas. Na Grande São Paulo, os principais sistemas, Cantareira, Alto Tietê e Guarapiranga, são os mais afetados.

Bônus
Entre fevereiro e outubro do ano passado, a companhia concedeu bônus de 30% na conta de clientes que economizassem 20% ou mais de água em relação à média de consumo entre dos 12 meses que vão de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014.

A medida foi adotada para estimular a redução no consumo. Desde novembro, o desconto gradual passou a ser dado para os imóveis que reduzirem o consumo entre 10% e 20%. O desconto foi prorrogado até o fim de 2015.

O percentual será calculado com base na média de fevereiro de 2013 até janeiro de 2014. A média já aparece na conta dos consumidores. A meta do governo é reduzir 2,5 metros cúbicos por segundo de consumo. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou que a medida seja uma multa ao consumidor. Ele define o ônus como “tarifa de contingência”.

Com a medida, a multa será aplicada da seguinte maneira: um consumidor que, em média, gasta 10 m³ de água receberá conta 20% mais cara se utilizar entre 10,1 m³ e 12 m³ em um mês. Caso gaste acima de 12,1 m³, irá pagar 50% a mais. O consumidor que elevar o gasto passará a ser cobrado na conta de fevereiro.

Fonte: G1