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Cesta básica fica mais cara em 14 capitais

Publicado em: 08/04/2011

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De acordo com dados divulgados pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no último dia 5/3, os preços dos  produtos alimentícios essenciais apresentaram alta em 14 das 17 capitais onde o DIEESE realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica.

As principais altas ocorreram em Natal (6,19%), Salvador (4,90%), Vitória (4,88%) e Rio de Janeiro (4,33%). Houve queda apenas em Recife (-0,77), Manaus (-0,54%) e Brasília (-0,05%). Com aumento de 2,45% no mês, São Paulo continua a cidade mais cara quando os preços da cesta básica são comparados por capital. Em março, a cesta custou R$ 267,58 na capital paulista. Porto Alegre, cuja cesta apresentou aumento de 1,80%, foi a segunda cidade mais cara (261,13); Rio de Janeiro, a terceira, com R$ 259,80, e Vitória, a quarta, com R$ 258,32. Aracaju (R$ 192,35) foi a única capital onde os produtos básicos custaram menos de R$ 200,00.
Com base no custo mais elevado apurado para a cesta básica, no caso a de São Paulo, e considerando a determinação  constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em março, o menor valor pago deveria ser de R$ 2.247,94, o que corresponde a 4,12 vezes o mínimo em vigor, de R$ 545,00, valor superior ao de fevereiro (R$ 2.194,18). Em março de 2010, o valor era de 2.159,65 (4,23 vezes o mínimo vigente de R$ 510,00).

Cesta x salário mínimo

A jornada de trabalho necessária para a aquisição da cesta total foi, em março, de 96 horas e 13 minutos, cerca de uma hora a mais que no mês anterior, que era de 95 horas e 09 minutos, ambas maiores que a de março de 2010, quando foi de 94 horas e 38 minutos. O custo da cesta básica alimentar comparado com o salário mínimo líquido – isto é, após os descontos da Previdência Social – apresenta relação semelhante. Considerando a média das 17 capitais, no mês de março a taxa era de 47,54%; no mês de fevereiro, de 47,01% e, em março de 2010, de 46,75%.

São Paulo

A capital paulista permanece no mês de março apresentando o maior valor da cesta básica alimentar entre as 17 capitais pesquisadas. A variação mensal foi de 2,45%, acumulando, no primeiro trimestre, uma elevação comedida de 0,92% e, no período anual, uma alta de 5,45%.

A maioria dos produtos alimentícios componentes da cesta aumentou no mês de março, principalmente o tomate  (19,25%), seguido pela batata (9,55%), os responsáveis basicamente pelo crescimento do custo total. As demais altas ocorreram no feijão (5,92%), manteiga (3,22%), óleo de soja (2,17%), banana (0,86%), leite (0,41%) e café (0,31%). As reduções de preços foram constatadas para o açúcar (-3,98%), carne (-1,84%), farinha de trigo (-1,55%) e arroz (-0,52%); e o pão permaneceu estável.

No período anual, também oito produtos encareceram, o óleo de soja (25,89%), a carne (21,68%), a farinha de trigo (19,55%), o feijão (15,66%), a banana (10,33%), o pão (9,56%), o leite (4,12%) e o café (2,23%). Baratearam a batata (-29,05%), o tomate (-10,56%), o açúcar (-9,21%), a manteiga (-9,90%) e o arroz (-7,28%).

O tomate, a batata e o feijão, que estão em período de safra, foram prejudicados pela intensidade das chuvas, com maiores custos para a colheita e o transporte. Contudo, os dois primeiros estão mais baratos no último mês de março em relação a igual mês do ano passado.

O trabalhador paulistano cuja remuneração é o salário mínimo necessitou comprometer 108 horas e 01 minuto de sua jornada para a compra dos alimentos desta cesta. Jornada maior que a de fevereiro, que foi de 106 horas e 24 minutos, mas inferior à de março de 2010, quando era de 109 horas e 27 minutos.

A mesma relação pode ser observada quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido – ou seja, após os descontos da Previdência Social. Em março, os alimentos básicos representaram 53,37% do mínimo líquido, sendo que esta relação era de 52,57% no mês anterior e de 54,08% em março do ano passado.

Fonte: DIEESE

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