Domingo, 20 de Setembro de 2020 -

Mulheres retornam da Marcha das Margaridas energizadas para lutar

Publicado em: 16/08/2019

A Marcha das Margaridas realizada por trabalhadoras do campo e da cidade de todo país nos dias 13 e 14 deixou como marca a importância da luta feminista por um país com soberania popular, justiça e direitos equânimes entre homens e mulheres. As diretoras do Secor marcaram presença na Marcha!

O encontro realizado em Brasília marcou não apenas a sexta edição da Marcha das Margaridas como também a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas que, no último dia, se somou na caminhada que se deslocou do Pavilhão do Parque da Cidade até o Congresso Nacional. No primeiro dia da atividade, a marcha foi ainda homenageada em sessão solene na Câmara dos Deputados.

O governo, protagonista da retirada de direitos de trabalhadores e trabalhadoras neste momento em que promove uma “reforma” da Previdência que irá acabar com o direito a uma aposentadoria digna da população brasileira, sequer respondeu às críticas feitas pelas mais de 100 mil mulheres em marcha, diferente dos governos anteriores, como o de Dilma Rousseff e de Luiz Inácio Lula da Silva – este que, aliás, enviou uma carta às mulheres, lida no microfone, de cima do caminhão pelo ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

“Estávamos começando a construir um Brasil melhor, com inclusão social, um país filho da democracia, da liberdade de pensar, de falar, de se organizar, de escolher seus governantes. Um país onde nenhuma mãe teria o sofrimento de não ter o que dar para o seu filho comer, onde a energia elétrica chegue em todas as casas, onde quem quer trabalhar no campo tenha terra para plantar, apoio para colheita e a venda dos frutos de seu trabalho. Onde as famílias tenham casa própria, onde os jovens tenham oportunidade de estudar, de fazer uma faculdade ou um curso técnico. Onde as pessoas tenham oportunidade de emprego e vida digna, onde as mulheres estejam protegidas da violência doméstica pela Lei Maria da Penha, onde as pessoas possam sorrir”, disse o ex-presidente.

As palavras de Lula como preso político trouxeram, segundo a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana, maior esperança às mulheres que agora retornam aos seus estados. “Compartilhamos experiência num encontro que reuniu mulheres de todos os lugares, de todos os cantos do país. Saímos de São Paulo com muita disposição para participar da marcha e construir laços para resistir às tragédias que temos vivido. E retornamos agora cheias de energia para o que vem pela frente”, relata a dirigente que ajudou a organizar a delegação de São Paulo que levou diferentes categorias à Brasília.  

Dino Santos/Sindicato dos Químicos do ABC

DINO SANTOS/SINDICATO DOS QUÍMICOS DO ABC

Para a secretária de Comunicação da CUT-SP, Adriana Magalhães, o atual governo não é só “misógino, racista e homofóbico”, mas constrói relações profundas para aplicar a receita neoliberal no Brasil e “entregar de bandeja as nossas riquezas”, superando até mesmo a onda de privatizações e entrega que ocorreu, por exemplo, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Para a dirigente, isso demonstra que será preciso ampliar a organização de luta e a articulação nacional e internacional.  

“Muitas causas juntas na marcha nos causou indignação e nos construiu mais fortes. Ninguém solta a mão de ninguém enquanto não revertermos isso. Entre tantas lutas ficou, por exemplo, bem marcado o quanto devemos dar maior atenção à proteção e da defesa das terras indígenas. Os povos originários vêm sendo massacrados em seus territórios”, diz.

Na avaliação da coordenadora geral da Marcha das Margaridas, Mazé Morais, também dirigente sindical pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a marcha demonstrou como a “solidariedade é fundamental para construir a luta” nos dias atuais.

“Pela primeira vez realizamos uma marcha em um governo de extrema direita e fascista, em um contexto intenso de retirada de direitos. Mas, mesmo diante perseguições aos movimentos sociais e a lideranças, conseguimos realizar a nossa maior marcha até o momento. As mulheres voltam para os seus territórios mais fortalecidas”, afirma.

Segundo Mazé, o evento teve ainda a participação inédita de delegações de 27 países, sendo eles Antígua, Argentina, Bolívia, Bangladesh, Barbados, Chade, Camarões, Chile, Colômbia, Congo, El Salvador, Espanha, Gana, Guatemala, Honduras, Inglaterra, Nepal, Nigéria, Panamá, Paraguai, Peru, Quênia, República Dominicana, São Vicente e Granadinas, Uganda e Uruguai.

Fonte: CUT SP